A FESTA DE SHAVUOT E AS MAIAS DO MINHO

Enquanto nesta segunda-feira, 21, chega ao fim em Israel mais uma Festa de Shavuot, nas portas das casas minhotas, no Norte de Portugal, recolhem-se o que restou das flores colocadas no início do mês. O ano que vem, a esta altura, recomeça-se a “tradição”. São as Maios do Minho.

No início de maio, no amanhecer do primeiro dia, cabe às mães a missão de suspender uma grinalda de flores no portal da casa ou pendurar um raminho na entrada do portão. A “tradição”, dizem, vem de longe e pouco se sabe sobre a mesma. Mas, se recuarmos aos tempos em que os judeus chegaram por essas bandas, logo se percebe uma interessante ligação entre os dois eventos, o Shavuot Judaico e as Maias do Minho.

O sincretismo judaico-católico – e não judaico-cristão como querem alguns – é evidente, pois diz uma lenda que quando Maria estava a caminho do Egito, na fuga de Herodes, albergou-se numa casota de aldeia e um delator assinalou a casa com uma flor, para que os perseguidores a encontrasse. Logo depois, segue a lenda, passou um anjo e colocou flores em todas as casas, confundindo os perseguidores.

O etnógrafo português Moisés Espírito Santo chama a atenção para uma possível prática cripto judaica nessa história. Espírito Santo diz que as versões contadas no Minho embutem um disfarce, pois na verdade a prática teria como origem uma tradição dos judeus estabelecidos nesta região que foram obrigados a ocultar suas práticas religiosas, ou a lhes dar uma capa católica, como forma de escapar dos horrores da Inquisição.

Para Moisés Espírito Santo, as Maias do Minho surgiram no rastro das comemorações da Páscoa judaica, que relembra a saída dos hebreus do Egito, com a subsequente morte dos primogênitos daquele país. Espírito Santo cita Flávio Josefo para colocar o mês de maio como momento desta fuga e um detalhe do livro do Êxodo como ponto de referência: “Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã” (Êxodo 12:22).

Como eram acusados de realizarem rituais de sangue, seria imprudente para os judeus tingir de vermelho os umbrais das suas casas, razão pela qual passaram a usar apenas ramos, numa referência ao hissopo. E como nesta época do ano vive-se o auge da primavera, com os campos tomados por flores silvestres, os ramos foram pouco a pouco sendo adornados chegando-se às atuais guirlandas.

Embora os enfeites se tornem a cada ano mais bem elaborados, o que predomina mesmo são enfeites simples, bem ao estilo da Idade Média, bem do jeito que os judeus costumavam fazer por ocasião da festa de Shavuot.

ALGUMAS IMAGENS DAS MAIOS DO MINHO

Guirlanda no portão, Galo de Barcelos no jardim: sincretismos de maio.

As flores que adornam este portão são popularmente conhecidas como “maios”.

A porta é centenária, a tradição é milenar.

A cada ano que passa, os enfeites se aprimoram e fogem da tradicional forma que tinham.

No geral, o que predomina mesmo são as flores do campo.

Mesmo casas abandonadas (ou seriam escondidas) recebem os tradicionais ramos de maio.

Não importa se acima ou no meio, o importante é marcar o maio com as maios.

Uma casa abandonada numa aldeia minhota com as flores de maio a tomar conta do muro.

Agricultor minhoto passa o arado sobre as flores do campo, não sem antes colher um punhado delas para adornar ao umbrais da sua casa.

Nesta escola de uma vila minhota, cada classe preparou uma guirlanda diferente para prosseguir a tradição.
Maios do Minho 13

ANDS

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