Publicado por: noticiasdesiao | 19 de setembro de 2017

ROSH HASHANAH

UMA FESTA REPLETA DE SIMBOLISMOS

Ao cair da tarde desta quarta-feira, 20, até o final da sexta, 22, judeus de todo o mundo celebrarão o início de mais um ano novo no calendário judaico. Esqueçam o dia 21 de Setembro de 2017, pois vamos é entrar no dia 1º de Tishrei de 5778.

Sim, Israel e o mundo judaico continuam a seguir, pelo menos de forma ritual, o calendário mais antigo do mundo, o calendário que foi observado pelos profetas, pelos reis de Israel, por Jesus Cristo e por Seus discípulos.

E segundo este calendário milenar, estamos às portas de um novo ano, estamos entrando em Rosh Hashanah. Portanto, Shanah Tovah Umetukah Lekulam!

Mas, o que diferencia e o que aproxima judeus e gentios nas comemorações de um Ano Novo? Ao contrário do que acontece com o Natal e o Hanukkah, em relação ao Ano Novo, as tradições observadas pelos gentios pouco tem a ver com a festa judaica.

Conheça agora algumas tradições do Rosh Hashanah, o Ano Novo Judaico.

TRADIÇÃO! TRADIÇÃO!

Mergulhar no mel uma fatia de chalah [pão] redonda e uma de maçã; saborear tâmaras, doce de abóbora ou cenouras adocicadas são atos que fazem parte do ritual que precede a refeição festiva, nas noites de Rosh Hashaná. pois é costume, após o kidush [bênção do vinho], provar vários alimentos simbolicamente selecionados e sobre cada um destes, fazer um pedido a D’us para o novo ano que se inicia.

Transmitido de geração em geração, esse costume está baseado em um ensinamento talmúdico e faz parte de vários códigos de leis judaicos. Os alimentos, escolhidos tanto por ter um sabor doce como pela conotação sugerida por seu nome em aramaico ou hebraico, devem servir de bom augúrio para o ano que se inicia.

Antigos rabinos diziam ainda que estes alimentos despertem, por seu sabor, sensações agradáveis, e que o essencial é o significado espiritual que eles têm. Como o importante não é o que se come, mas o porquê, foi instituída uma prece específica ou um pedido para cada um dos mesmos. É esta pequena prece que confere à ação o seu significado espiritual. Assim, antes de ingerir um alimento, os judeus se dirigem ao Todo-Poderoso e rogam: “Yehi Ratzon Milefanêcha, Ado-nai Elo-Henu Velo-hê Abotenu“, que traduzido significa: “Que seja Tua vontade, Senhor nosso D’us, D’us de nossos pais.”

Que alimentos são esses? Sua escolha remonta à época talmúdica, mas, no decorrer dos séculos, foram adotados diferentes costumes nos vários países onde os judeus se estabeleceram. Daí a diversidade das tradições entre as diferentes comunidades. Ashquenazitas e sefaraditas têm costumes diferentes, apesar de alguns itens serem comuns a todos. A regra é simples: Cada judeu segue o costume da sua casa. Pronto.

A IMPORTÂNCIA DA SIMBOLOGIA

O Rosh Hashanah aparece no Talmude logo depois das referências à coroação dos reis. Para os rabinos que escreveram o Talmude, os reis de Israel deveriam ser coroados na primavera – para que sua soberania fosse contínua, como o fluir dos rios, durante essa estação. Logo depois, o Talmude fala de Rosh Hashanah, que acontece logo depois da primavera, quando a terra começa a dar seus melhores frutos. Independentemente “de que data do ano ocidental” venha a cair, o Rosh Hashanah sempre será “na mesma estação do ano oriental”. No ano passado, por exemplo, caiu em Outubro.

Em relação à importância dos símbolos, a primeira pergunta a se fazer é: Qual o motivo para o uso desses símbolos em Rosh Hashaná?

Para os judeus, cada detalhe serve de lembrete. Ao ingerir alimentos que têm conotações positivas e dirigir pedidos ao Todo-Poderoso, a pessoa se conscientiza que está sendo julgada por seus atos no ano que finda. Cada pessoa sabe que é chegado o momento de tentar aproximar-se de D’us e de se arrepender dos seus erros.

A segunda pergunta é: Qual a razão de terem escolhidos estes alimentos?

Aí as opiniões variam. Shlomo Yitzhaki, um rabino que viveu no início do Século XI, defendia a ideia de que a simbologia pode ser explicada por dois aspectos: 1. A doçura natural de alguns alimentos, representam que um novo ano além de bom deve ser também “doce”; 2. Outros alimentos, que crescem rápido e são abundantes, representam a abundância dos méritos de todo o povo de Israel. Vem daí a origem da expressão mais usada nesta época: “Shanah Tovah Umetukah!”, ou seja, “Um ano Bom e Doce!”

Outros líderes apontam o fato de que é no nome de alguns alimentos que está contida sua simbologia. Há alimentos cujo nome fazem referência a crescimento e abundância. Para estes intérpretes, esses alimentos simbolizam a fartura e o aumento das boas ações praticadas por Israel. E há também alimentos cujos nomes fazem alusão à eliminação ou destruição, e são usados em referência aos pecados e aos inimigos de Israel.

UMA FESTA EXTREMAMENTE DOCE

Em Rosh Hashaná, costuma-se consumir apenas bebidas e alimentos adocicados – indicando a esperança de um ano de fartura e doçura. Esta tradição aparece na Bíblia Sagrada. No Livro de 1 Samuel, por exemplo, o rei Davi e suas tropas enviaram a Nabal, o carmelita, a mensagem: “Viemos em boa ocasião. Dá, pois, a teus servos e a Davi, teu filho, o que achares à mão” (25:8). Segundo antigos rabinos isso aconteceu na véspera de um Rosh Hashanah e Davi não tinha alimentos para a refeição festiva. Embora Nabal tenha recusado o pedido, sua esposa, Abigail, forneceu os víveres, inclusive vinho, uvas e figos secos. Estas frutas adocicadas constituíram as refeições de Rosh Hashanah do rei David e seus homens.

Teria sido também em Rosh Hashanah que Neemias, no capítulo 8:10, dispensou os judeus reunidos em Jerusalém, dizendo-lhes: “Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto não vos entristeçais; porque a alegria do Senhor é a vossa força.”

O costume de consumir alimentos doces é uma das características mais marcantes das refeições de Rosh Hashanah. O kidush é feito de preferência sobre um vinho doce e, em seguida, molha-se um pedaço de chalah no mel ou no açúcar. Certas comunidades têm o hábito de molhar o pão no mel, ao invés do sal, no período de Rosh Hashaná até o sétimo dia de Sucot. As chalot [plural de chalah] usadas na festividade também são adocicadas e, diferentemente do feitio de trança geralmente usado no restante do ano, são feitas redondas para simbolizar o ciclo da vida, da continuidade e da eternidade. Feitas sem arestas, simbolizam o pedido de cada judeu para que o ano que se inicia seja um ano sem conflitos. O feitio circular, de coroa, serve também como lembrete da Realeza de D’us, o tema mais importante da data.

Há várias simbologias no ato de se molhar a chalah no mel. Entre elas, a semelhança existente entre a chalah e o maná que alimentou Israel, durante 40 anos no deserto. Qual era o gosto do maná? Êxodo 16:31 diz que “o seu sabor [era] como bolos de mel. A própria palavra mel, em hebraico, transmite a esperança na Misericórdia Divina, pois como cada letra do alfabeto hebraico corresponde também a um número, o valor numérico da palavra mel, dvash, equivale ao valor da expressão “Av Ha’Rachamim” (Pai Misericordioso). Assim, o mel simboliza, para os judeus, a esperança de que a misericórdia de D’us os alcance por Sua infinita compaixão.

É também no mel que, a seguir, molha-se uma fatia de maçã – ou no açúcar, como fazem os judeus orientais, para reforçar os votos para o novo ano. Após agradecer o Todo Poderoso por Sua benevolência, os judeus pedem que D’us conceda novamente um ano bom e tão doce quanto o mel.

E por que os judeus escolheram a maçã e não outra fruta? Porque a maçã representa o povo de Israel e, em várias ocasiões, nos textos sagrados, Israel é comparado a “uma maçã perfumada”. Esta fruta é também usada como símbolo para representar o Pentateuco. É comum encontrar em outras literaturas judaicas a expressão “Campo de Maçãs Sagradas” para descrever a manifestação da Presença Divina. O perfume da maçã é uma referência ao perfume do Jardim do Éden e é também associado à bênção que Jacó recebeu de seu pai, Isaque. E há uma tradição judaica de que este fato teria acontecido justamente durante um Rosh Hashanah.

SEFARADITAS E ASHQUENAZITAS

Segundo o costume sefaradita, os alimentos utilizados nas noites de Rosh Hashaná (imagem acima) são tamar (tâmara), rubia (feijão de corda), carti (alho-poró), silcá (acelga), cará (abóbora), rimon (romã), tapuach (maçã), dvash (mel) e rosh keves (cabeça de carneiro).

Entre os ashkenazitas é costume usar tapuach (maçã), dvash (mel), guezer (cenouras), keruv (repolho), dag (peixe), rimon (romã) e rosh dag (cabeça de peixe).

Ao se analisar a raiz hebraica ou aramaica dos nomes dos alimentos que ao longo dos anos foram integrados ao ritual, encontra-se um paralelo entre o significado das bênçãos e sua ligação com a história judaica. Sobre certos alimentos, os judeus pedem a D’us que “aumentem” méritos e virtudes, como no caso do feijão de corda que em hebraico recebe o nome de rubia. O nome hebraico rubia provém do radical rava, que significa “aumentar”.

E mesmo quando, por questões regionais, há a necessidade de se substituir algum alimento, os judeus procuram sempre algo que faça sentido mais simbólico que gastronômico. Por exemplo, nas comunidades europeias que falavam o ídiche, os judeus ao invés do feijão de corda passaram a usar cenouras, alimento mais fácil de ser encontrado. Mas, porque cenoura e não beterrabas, por exemplo? Porque cenoura em ídiche é mehren, e mehren também significa “aumentar” ou ” multiplicar” em ídiche.

Quando comem peixe, os ashquenazitas pedem a D’us que possam “multiplicar-se como os peixes”. Já a romã serve para incentivar os judeus a serem repletos de boas ações, exatamente como cheias de sementes são essas frutas. Segundo uma interpretação talmúdica, cada romã tem em média 600 caroços, e como há no Pentateuco 613 mitzvot (preceitos), não é difícil encontrar romãs com quantidades de caroços iguais às das mitzvot.

Ou seja, todo alimento tem seu simbolismo, como no caso das tâmaras. Ao comê-las, os judeus pedem a D’us que os afaste de tudo aquilo que lhes faça mal ou que os leve a fazê-lo. O nome tamar lembra o radical de tam, que em hebraico é exterminar.

Outro pedido é que os inimigos, aqueles que querem fazer o mal, sejam vencidos. Alho-poró em aramaico é cartie e em hebraico carat, cujo significado é “eliminar”. Assim, ao comer o alho-poró, os judeus pedem a D’us que os seus inimigos sejam vencidos.

Ao comer a acelga, que é silcá, uma palavra que vem da raiz silec (afastar), é como se os judeus estivessem pedindo para serem afastados daqueles que lhes querem fazer o mal.

Os sefaraditas costumam comer um doce feito de abóbora, que em hebraico é cara, um termo que remete à palavra cará (anular). Ao comer este doce, pede-se que neste dia de julgamento sejam anulados os maus decretos e apenas os méritos sejam lidos perante D’us.

Finalmente o último pedido: ao comer alguma parte da cabeça de um animal ou de um peixe, os judeus pedem para ser bem-sucedidos, colocados “como cabeça e não cauda”. Isso serve para que o povo de Israel recorde-se que eles não devem ser subservientes a nenhum outro poder, a não ser a D’us. Para este pedido, costuma-se usar uma parte da cabeça do carneiro, para que D’us possa se recordar, para o bem do Seu povo, o sacrifício de Isaque, que à última hora foi substituído por um carneiro.

O PLURALISMO DE OUTROS COSTUMES

Em algumas comunidades costuma-se comer uma fruta nova da estação na segunda noite de Rosh Hashanah, para justificar uma bênção chamada “shehecheianu”, que é recitada sempre que um judeu tem prazer com coisas novas.

Com o tempo, os judeus foram adotando vários outros costumes, inspirados nos nomes de outros alimentos. No passado, os judeus da Ucrânia, por exemplo, costumavam dar aos filhos fígado de galinha, isso porque em ídiche fígado é leberlach um homófono da palavra leb ehrlic, que significa “viver honestamente”.

Há quem não coma nozes nesta festa, porque a soma das letras da palavra egoz (noz) no paralelismo numérico hebraico tem o valor de chet, o termo hebraico para “pecado”.

Outros grupos assam a chalah na forma de uma espiral, como lembrete de que D’us decidirá quem subirá e quem descerá os degraus da vida.

Um costume menos conhecido é o de fazer a chalah no formato de pássaro, para lembrarem do que diz Isaías 31:5: “Como as aves voam, assim o Senhor dos Exércitos amparará a Jerusalém; Ele a amparará, a livrará e, passando, a salvará.”

Em certos lares sefaraditas dos países do Mediterrâneo e do Oriente Médio, é comum se começar a refeição festiva servindo um peixe inteiro, como expressão do desejo de prosperidade, fertilidade e boa sorte para o ano vindouro.

Mas a multiplicidade de tradições é tão imensa que algumas vezes elas chegam mesmo a se chocar entre si, como no caso dos judeus marroquinos, que não comem peixe em Rosh Hashaná, pois a palavra para peixe é dag em hebraico, o que lembra a expressão d’agá, cujo significado é “preocupação”. E, convenhamos, como ninguém quer começar um novo ano preocupado, deixemos o peixe de lado.

Mas, o que importa mesmo é que, independentemente do costume adotado em cada comunidade, os judeus, geração após geração, continuam a invocar as bênçãos do D’us de Israel sobre suas vidas.

E neste momento em que a comunidade judaica celebra mais um Rosh Hashanah, nós que fazemos o NOTÍCIAS DE SIÃO desejamos a todos que 5778 seja um “Shanah Tovah Umetukah Lekulam ve l’Shanah Haba’ah b’Yerushalayim!” (Que 5778 seja “Um ano bom e doce para todos e que possamos no que vem estarmos em Jerusalém!”)

São os votos de Roberto, Verônica, Jordana e Josh Kedoshim.

MORASHÁ | MESORAH | ISAAC DISHI | ANDS

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Responses

  1. “Shanah Tovah Umetukah Lekulan! Um Ano muito doce para todos vocês! Shalom!


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