Publicado por: noticiasdesiao | 29 de maio de 2015

BOYCOTT ISRAEL

Com o boicote a Israel, ingleses, franceses, americanos, sul-africanos e brasileiros tentam mostrar ao mundo alguma dignidade, como se isto pudesse absolvê-los do que fizeram em suas terras para erguer seus estados.

Israel Boycott
Idiotas úteis: não viveriam um dia se boicotassem todas as invenções judaicas!

ISRAEL NÃO É [CHARLES] BOYCOTT

SÓCRATES NOLASCO | O GLOBO

A virtude como a glória da razão há muito deixou este mundo. Contudo, nos dias de hoje, a tentativa de resgatá-la e integrá-la à vida social, na maioria das vezes, não passa de boas intenções carregadas de opiniões que servem mais para julgar o outro do que para integrar um mundo dividido. É disto que se alimenta o politicamente correto.

Spinoza acredita que tudo que se harmoniza com a razão é perfeitamente útil à prática da virtude. Descobriu, ainda, que os erros nos quais os outros incidem têm mais importância para um acusador do que o esforço feito por ele para conquistar a própria felicidade. Isto alimenta a vida de muita gente que se acha politicamente correta.

A virtude não se dá sem luta, nem a felicidade sem coragem. A força para enfrentar a si mesmo, base da virtude, não tem valor para um acusador. Mesmo que Hegel tenha esvaziado o problema da virtude, deslocando-o para questões relativas às normas e aos valores, a virtude continua mantendo com a sabedoria uma conexão que desapareceu das democracias de mercado. Assim como a virtude, a sabedoria foi-se deste mundo para que, em seu lugar, se constituísse uma cultura da discussão que valoriza mais a opinião que a sabedoria.

O boicote é uma opinião, aparentemente carregada de boas intenções, que parte de um acusador que sabe pouco sobre si mesmo. A origem da palavra boicote vem de uma história que ocorreu em 1890. O conde Charles Parmell, um grande latifundiário irlandês, aumentou o aluguel de seus inquilinos, encarregando seu capataz, capitão Charles Boycott, de executar a ordem. Resultado: os inquilinos deixaram de falar com Boycott, as lojas deixaram de vender para ele, suas cartas deixaram de ser entregues e até o padre o proibiu de entrar na igreja. Isolado e repudiado, ele mudou-se para uma outra cidade e nunca mais se ouviu falar dele, a não ser pela palavra boicote. Mas e o proprietário das terras que determinou a sentença, o que aconteceu com ele? Nada. Faltou aos inquilinos, lojistas, carteiro e padre, sabedoria, virtude e coragem para perceber que Boycott era uma parte de suas histórias com o proprietário das terras sobre as quais todos viviam. Eliminá-lo era uma tentativa de passar a limpo a história de cada um deles com o proprietário, tornando-a ideal e sem contradições. Apesar de o ideal não pertencer a este mundo, alguns Estados tentam passar suas histórias a limpo jogando o que nelas lhes envergonha sobre o Estado judeu.

Com o boicote a Israel, ingleses, franceses, americanos, sul-africanos e brasileiros tentam mostrar ao mundo alguma dignidade, como se isto pudesse absolvê-los do que fizeram em suas terras para erguer seus estados. O Reino Unido sofre boicotes desde 1769; com a França não é diferente. Não faltam boicotes aos EUA. A Áustria, o Japão e a Alemanha já foram boicotados. O Brasil, que participou das Olimpíadas de 1936, em pleno governo nazista, se sente à vontade para boicotar. Pedir a Caetano e Gil para não cantar em Israel chega ser uma historieta semelhante à entrevista dada por Abbas ao jornalista brasileiro. Não é a virtude que tem norteado estes boicotes, nem a razão ou a sabedoria, mas a união torpe da ignorância com a estupidez.

Sócrates Nolasco é professor da Escola de Comunicação da UFRJ e escreveu o artigo para o jornal O Globo

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Responses

  1. até ler esse artigo, eu confesso que gostava de Caetano e Gil, más a partir de agora não quero nem notícias desses dois feiticeiros.

  2. Esses que fazem boicote a Israel são uns hipócritas fingidos, recebem o bem da Nação, e agem como perfeitos idiotas. É que lhes falta a fé viva no Deus de Israel, criador da terra, céu e mar. Protesto a todo boicote a esta nação q tem sido benção para todo mundo.

  3. […] Netanyahu fez uma ponte entre a recusa da aceitação do nome de Dayan com o crescente movimento de boicote a produtos israelenses fabricados na Judeia ou Samaria: “Acredito que Dani Dayan é um candidato […]


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