Publicado por: noticiasdesiao | 26 de janeiro de 2015

JUDEUS FRANCESES DIVIDIDOS

FICAR NA EUROPA OU IR PARA ISRAEL?

Por William Booth e Rith Eglash | Tel Aviv

O Governo de Jerusalém estima que, este ano, cheguem ao país 15 mil judeus oriundos de França. Não fogem de uma guerra ou de uma ameaça aniquiladora. “Aquilo a que estamos assistindo agora é ao velho sionismo, à ideia de que só há uma terra para se estar, e essa terra é Israel”.

Logo após a morte de quatro judeus num supermercado kosher em Paris, no dia 9 de Janeiro, os líderes políticos de Israel foram rápidos ao propor o país como um local de refúgio.

“A todos os judeus de França, a todos os judeus da Europa, quero dizer que Israel não é apenas a terra em cuja direção se viram para orar; o Estado de Israel é a casa de vocês”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, numa declaração transmitida pela televisão.

Se esse apelo provocar uma nova onda de emigração, os novos habitantes irão juntar-se aos 7000 compatriotas franceses que se mudaram para Israel no ano passado. Mas esse movimento já está reformulando o debate entre os judeus de Israel, que se questionam: é melhor para os judeus franceses virem para Israel, ou ficarem em casa e insistirem que a sociedade francesa, incluindo a sua crescente população muçulmana do país, os acomode?

Este debate foi lançado com um toque moderno: se os judeus abandonarem a França em grande número, não estarão fazendo justamente aquilo que os extremistas islâmicos querem – expulsar os judeus de França?

“Aquilo a que estamos assistindo agora é ao velho sionismo, à ideia de que só há uma terra para se estar, e esta terra é Israel”, disse Smadar Bar-Akiva, diretor executivo do JCC Group, uma organização que congrega mais de mil centros comunitários judaicos em todo o mundo.

“Aliyah é maravilhoso. Adoraríamos ter mais judeus em Israel”, disse Bar-Akiva, referindo-se ao termo hebraico recuperado por ocasião da fundação do moderno Estado de Israel, em 1948, para classificar a ida de milhares de judeus para o seu país. “Mas eu também gostaria que houvesse mais judeus fortes espalhados pelo mundo. Fazer as malas e sair de França é uma espécie de derrota auto-infligida.”

Os judeus que estão chegando a Israel vindos da França não fogem de uma guerra ou da aniquilação, como a geração fundadora que chegou imediatamente após a II Guerra Mundial. Nem os judeus franceses são como os judeus russos e etíopes que fugiram ao colapso da União Soviética e à pobreza na África nas décadas de 1980 e 1990 – um fenômeno caracterizado como uma “aliyah motivada por crises”.

A chegada de judeus franceses, diz Natan Sharansky, presidente da Agência Judaica para Israel, é “um fenômeno histórico único”, que coloca novos desafios e oportunidades a Israel. “Estamos transitando de uma aliyah de salvação para uma aliyah de escolha livre”, disse Sharansky.

Pela primeira vez na História de Israel, de acordo com Sharansky, mais de metade dos imigrantes judeus que chegaram a Israel no último ano vieram de democracias ocidentais, com a migração a partir de França figurando no topo da lista.

Alguns analistas em Israel acusaram os líderes do país de não perceberem as realidades dos judeus que vivem na Europa, e a sua profunda ligação aos respectivos países de origem.

“Acho que a situação na Europa não justifica um êxodo em massa para Israel”, disse Elie Barnavi, professor de História na Universidade de Tel Aviv e antigo embaixador de Israel em Paris. Para Barnavi, os judeus franceses que desejem emigrar devem fazê-lo por amor a Israel, e não por pânico. “Nem o Governo, nem a população, nem a imprensa francesas são anti-semitas. Não se pode comparar à situação na década de 1930”, disse o historiador.

“Estamos falando de pessoas que vêm para cá por opção. A maioria das pessoas vai permanecer em França, porque têm uma vida confortável”, disse Barnavi. “Não é fácil deixar para trás a nossa cultura, a nossa língua, os nossos amigos.”

SIONISMO

Mas outros analistas apoiaram a oferta feita pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Lamento dizer a verdade: o crime terrível que Netanyahu cometeu chama-se sionismo”, escreveu Boaz Bismuth, um antigo correspondente em Paris, no jornal Israel Today.

Yair Lapid, líder do partido centrista Yesh Atid, e um homem que não pode ser descrito como um amigo de Netanyahu, disse: “Os judeus europeus têm de perceber que só existe uma terra para os judeus, e essa terra é o Estado de Israel.”

O que os recém-chegados vão encontrar quando chegarem a Israel, e de que forma vão mudar a sociedade israelita, são questões importantes e ainda em aberto.

No ano passado, antes do massacre em Paris, mais de 7000 judeus franceses optaram por sair de França, deixando para trás uma nação democrática, liberal, multicultural e moderna, com um Governo que disponibiliza vários serviços – educação, saúde, reformas – aos seus cidadãos, incluindo os judeus, que têm vivido em França desde o tempo dos romanos. O motivo mais vezes referido para a saída: a fraca economia europeia e um crescente anti-semitismo.

FONTE: PÚBLICO

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Responses

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