Publicado por: noticiasdesiao | 7 de janeiro de 2015

TESTEMUNHO PALESTINO

John Calvin

A BONDADE ISRAELENSE MUDOU A MINHA VIDA

Por Elhanan Miller | Times Of Israel

Ainda adolescente, o palestino “John” foi preso em Tel Aviv, no final de 2006 por entrar ilegalmente em Israel. Era a terceira vez que o jovem de 15 anos, de Nablus, tinha cruzado a fronteira de Israel, fugindo de seu pai abusivo. Agora, aos 24 anos, ele está lutando por sua vida para continuar a ser um refugiado no Canadá.

O jovem pertencia à uma família aristocrática, em termos islâmicos palestinos. Seu avô materno, Said Bilal, era o chefe da Irmandade Muçulmana em Nablus, que supervisionou as atividades de sua filial palestina, o Hamas. Seu tio, Muaz Bilal, foi condenado em 2002 por um tribunal israelense a 26 penas de prisão perpétua por enviar homens-bomba ao centro de Jerusalém no final de 1990, matando 21 israelenses e ferindo 300, em dois ataques separados. Outros dois tios, Bakr e Obada Bilal, um era comandante militar de um campo Hamas e o outro especialista em explosivos. Eles foram libertados da prisão israelense como parte da troca de prisioneiros pelo soldado Gilad Shalit em outubro de 2011.

O problema começou quando quando “John” começou a questionar as crenças e ações de seus pais. “Eu acabei tendo uma grande briga com eles, e fugi para Israel”. Uma experiência trágica na cela de uma prisão israelense naquela noite provocou uma cadeia de eventos que iria transformar o sistema de crenças do adolescente, levando-o a se converter ao cristianismo e mudar seu nome para John Calvin, tal qual o teólogo francês do século XVI, o jovem contou à revista The Times of Israel, em uma conversa por telefone na segunda-feira, de Edmonton, no Canadá, onde ele finalmente pediu asilo político.

“Na cadeia acabei recebendo assistência de psiquiatras da administração da prisão, o que me ajudou a atravessar a pior experiência da minha vida. Isso acabou por mudar minha visão completamente. Toda a equipe tentou me ajudar, incluindo o diretor da prisão. Eles se preocuparam comigo após a minha libertação. Esta não era a imagem que eu tinha sobre os judeus.”

Calvin, que pediu que seu nome original não fosse revelado por medo de que sua família o encontrasse, disse que foi ensinado a acreditar que os judeus eram “monstros”, cujo objetivo era matar e destruir os palestinos. “Mas, longe de tentar me destruir, os carcereiros me mostraram humanidade e compaixão”, disse ele. “Eu perdi a fé em tudo o que eu sabia. Minhas crenças entraram em colapso. Daquele ponto em diante, eu tive que desenvolver meus próprios valores e ideologias, depois de ser exposto à verdade – de que o povo judeu não era o monstro que me ensinaram. Eles eram, na verdade, pessoas normais, que mostraram a humanidade e compaixão em meu tempo de necessidade “.

Ele definiu sua criação como “extremista”, citando de cor uma tradição oral islâmica (hadith), que aprendeu na escola afirmando que “aquele que morre sem ter travado um ataque pela causa do Islam morre como um infiel.”

“Em casa, memorizavamos o Alcorão e estudavamos a doutrina islâmica. Éramos uma família baseada na fé”, disse ele. Após o seu regresso a Nablus, Calvin se distanciou de sua família e só ia visitar sua casa uma vez por semana. Ele conseguiu um emprego como sapateiro, comendo e dormindo na oficina. Por volta da mesma época, Calvin, o mais velho de quatro irmãos, começou a interessar-se pelo cristianismo, secretamente lendo a Bíblia, longe dos olhos vigilantes dos pais.

Até o momento ele tinha 19 anos e estava pronto para converter formalmente. Mas quando, em 2010, sua mãe o pegou falando ao telefone com um líder religioso, perguntando sobre o batismo, o mundo desabou. Ele confessou suas crenças cristãs e seu pai tentou esfaqueá-lo. Calvin pulou a janela para escapar e se escondeu em outra cidade da Cisjordânia, onde se juntou a uma comunidade cristã e começou a freqüentar os cultos da igreja. Lá, ele conheceu um pastor canadense que lhe ofereceu uma bolsa de estudos para uma escola bíblica em Toronto, o que ele rejeitou. Mas em junho daquele ano, em Ramallah, encontrou-se com seu pai, que lhe agrediu fisicamente. Calvin foi preso e enviado para uma prisão da Autoridade Palestina em Nablus por “perturbar a paz pública.” Ele foi colocado em uma cela com mais de 60 presos, muitos deles membros do Hamas, alguns no corredor da morte. “Pela primeira vez na minha vida eu vi que os presos foram autorizados a portar facas na cadeia”, disse ele. “Quando entrei, um dos presos me deu três dias para me arrepender e me converter de volta para o Islã ou seria morto por traição.” Calvin disse que a administração prisão estava ciente de sua situação, permitindo também que clérigos muçulmanos entrassem em sua cela para tentar convertê-lo de volta para o Islã, mas sem sucesso. Um mês depois, ele foi libertado da prisão, ainda um cristão crente. Nenhuma acusação foi feita contra ele, e ele nunca enfrentou um tribunal.

Depois de uma estadia curta com sua avó – a quem ele descreve como “a primeira-dama do Hamas”, e que também tentou convencê-lo a voltar ao rebanho muçulmano – Calvin soube do plano de seu pai para matá-lo. Amigos o ajudaram a fugir para a Jordânia, onde ele aceitou a bolsa para estudar no Canadá. No final de dezembro de 2010, ele chegou em Toronto, depois de se mudou para Alberta para concluir seus estudos de teologia em 2012.

Calvin chegou ao Canadá com um visto de estudante, solicitando o estatuto de refugiado em junho de 2011. Mas em julho de 2012 o seu caso foi suspenso pela imigração Canadense, pois o Ministério da Segurança investigou sua família em Nablus e descobriu sua filiação ao Hamas, grupo que o Canadá considera uma organização terrorista.

Na sequência de um vai-e-vem legal, ao longo dos últimos dois anos, Calvin foi informado, na véspera de Ano Novo 2015, que o seu pedido de refugiado havia sido negado e ele poderia ser deportado dentro de 30 dias. Calvin agora contesta a ordem de expulsão em um tribunal federal, com a ajuda de amigos que lançaram uma campanha de crowdfunding para ajuda-lo, assim como para enviar um apelo ao primeiro-ministro canadense Stephen Harper. Ele está certo de que ele será morto se for deportado de volta para os territórios palestinos.

Calvin vê semelhanças entre a sua história e a de Mosab Hassan Yousef, filho do líder do Hamas Hassan Yousef, que se converteu ao cristianismo e fugiu para os Estados Unidos depois de servir como um informante da agência de segurança interna de Israel, o Shin Bet.

“Nós nos conhecemos em uma festa de um amigo em comum, no Canadá. Ele parece ser uma pessoa amável, decente, embora eu realmente não o conheça”, observou ele. “No entanto, no meu caso eu não trabalhei com a inteligência israelense”.

Recordando suas experiências em Israel, há oito anos, a mensagem de Calvin é otimista: “Não julgue um livro pela capa”, disse ele. “Às vezes, o menor, mais simples ato de bondade e compaixão pode mudar a vida de alguém para sempre, como eu.”

NOTA: Este texto foi condensado do original publicado em Times Of Israel. Notícias de Sião publica a matéria com reservas, pois não conhece a história da “conversão” de John Calvin, uma vez que ele não mudou certas atitudes comportamentais incompatíveis com os padrões bíblicos.

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