Publicado por: noticiasdesiao | 8 de novembro de 2014

25 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM

APRENDER COM O PASSADO PARA NÃO REPETIR ERROS NO FUTURO

É impressionante que alguns brasileiros queiram implementar no seu país uma ideologia cujo maior símbolo levou 28 anos, dois meses e 27 dias para ruir.

Chinoin Quimical Budapest
Em 1989 operários retiram uma Estrela Vermelha do topo do edifício-sede da Chinoin Farmacêutica, uma antiga fábrica comunista de Budapest.

A CONSTRUÇÃO

Foi num domingo, 13 de Agosto de 1961, que as obras iniciaram. Na manhã daquele fatídico dia 40 mil soldados e policiais da Alemanha do Leste começaram a erguer uma fortificação na linha que separava o setor soviético, comunista, da parte administrada pelos Aliados do Ocidente, capitalista. Um muro começava a nascer, mas a ideologia já lá estava, e vinha de longe, pelo menos de 1917 na incipiente União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

No decorrer dos meses seguintes, 155 km de um sólido muro de concreto foi erguido no perímetro de Berlim Ocidental, com 13 postos fronteiriços. O fechamento da fronteira dentro de Berlim tinha como objetivo travar o êxodo em massa dos cidadãos do Leste para o Oeste. Duas mil pessoas, muitos delas altamente qualificadas, fugiam todos os dias do regime comunista para o regime capitalista. Estima-se que entre 1945 e 1961 três milhões de alemães fugiram da Alemanha Socialista para a Alemanha Capitalista. E isso estava a provocar o declínio econômico da Alemanha Oriental.

O chefe de Estado da Alemanha Socialista, Walter Ulbricht, tinha assegurado que “ninguém ia contruir um muro”. No entanto, dois meses depois, o mesmo Ulbricht encabeçou a tomada de decisão, prontamente apoiada pela URSS, e justificada como sendo uma “barreira antifascista”. Assim, o símbolo da cidade, o Portão de Brandeburgo, no sector soviético, ficou cercado por um muro de três metros de largura, e foi condenado a ser zona militar de segurança. O “check point Charlie”, posto de fronteira entre o setor americano e soviético, foi teatro de confrontos de blindados em Outubro de 1961. Tornou-se o símbolo da Guerra Fria.

Em 1963, o presidente JF Kennedy visitou Berlim Ocidental, e perto do Muro, pronunciou a célebre afirmação: “sou berlinense”. Num trecho histórico do pronunciamento o president Americano disse: “In a world of freedom the proudest boast is: Ich bin ein Berliner”.

Nos anos seguintes, o Muro foi “aperfeiçoado”. Visto do exterior, do lado ocidental, tinha 3 metros e 60 de altura. Do Leste, tinha uma série de obstáculos, como uma parte em areia para conservar as pegadas dos fugitivos, postos de luz, de veículos militares em ronda permanente, sinalização elétrica que desencadeava alarmes e 302 postos de vigilância.

Com o avanço do policiamento e recrudescimento da Guerra Fria acabou por transformar o Muro de Berlim num dispositivo inultrapassável quando, a partir de 1 de Outubro de 1973, os guardas receberam ordens para disparar, mesmo contra mulheres e crianças. Mais de mil cidadãos da Alemanha comunista tentaram passar a fronteira para o Ocidente ou saltar o muro de Berlim. É impossível saber quantos morreram tentando. Há apenas o registo oficial de 138 vítimas mortais e cerca de uma centena de desaparecidos com processos abertos na justiça alemã.

A QUEDA

Foi numa quinta-feira, 09 de Novembro de 1989, que o Muro começou a ruir. Durante uma conferência de imprensa, transmitida ao vivo pela televisão alemã, Günter Schabowski, porta-voz do Comité Central do Partido Socialista Unificado da Alemanha, de um modo não muito claro, disse que havia uma nova lei para quem desejasse passar da Alemanha Oriental e para a Alemanha Ocidental. Aproveitando o titubeio do porta-voz, um jornalista francês perguntou-lhe se a ordem estava valendo à partir daquele momento. Confuso, Schabowski disse algo como “parece que sim”. E fez-se história.

Poucas horas depois, uma multidão tomou de assalto o posto fronteiriço até então reservado aos berlinenses do ocidente que visitavam os familiares na Alemanha comunista. Pela primeira vez em décadas, os cidadãos do Leste puderam passar sem problemas.

Nos dias seguintes, através de uma abertura feita na altura da Bernauer Strasse, milhares de berlinenses do leste passaram a fronteira sem medo, como em, onde uma abertura foi improvisada. Berlim transformou-se num palco de cenas de alegria como em Kud’dam, a grande avenida de Berlim Ocidental onde os berlinenses das duas Alemanhas festejaram.

Perigosas Estrelas Esquerdistas
No antigo setor comunista da ex-Alemanha Oriental ainda é possível ver-se uma Estrela Vermelha ao lado de um pedaço daquele que foi a Muro de Berlim. A mesma Estrela encontra-se no topo do brasão da Coreia do Norte e nas sedes do Partido dos Trabalhadores do Brasil. Uma Estrela que simboliza um regime do qual um país já se livrou, um outro mantém às custas de muita violência e que no Brasil alguns políticos sonham implantar.

TESTEMUNHO PESSOAL

Naqueles dias eu encontrava-me hospedado no Hotel Municipal de Campos Sales, no interior do Ceará. Motivos profissionais levaram-se a esta pequena cidade, onde eu não tinha acesso aos jornais diários que normalmente adquiria nas bancas de Fortaleza. O que tinha a minha disposição eram os jornais O Povo e Diário do Nordeste, periódicos que traziam reportagens sucintas e decepcionantes. Como estava acostumado, eu queria ler O Estado de S. Paulo ou A Folha de S. Paulo, mas estes jornais não chegavam por lá.

Naqueles dias, restringi-me a assistir aos telejornais. E foi através de um deles que ouvi uma frase para mim icônica. O jornalista Boris Casoy, recém-saido da Folha de S. Paulo, onde tinha sido editor-chefe, apresentava o Telejornal Brasil (TJ Brasil) onde, pela primeira vez, trouxe para a TV o estilo analítico do jornalismo impresso. Depois de cada reportagem, Casoy fazia breves comentários. Numa das noites, depois de mostrar a realidade que vinha a tona nos mais longínquos rincões da Alemanha Comunista, onde os eletrodomésticos eram toscos, os automóveis feitos de uma mistura de plástico e papel, as casas paupérrimas e os cidadãos envergonhados, Boris Casoy olhou fixamente para a câmera oposta e disse: “E não é que Seleções tinha razão!

O apresentador Boris Casoy referia-se às reportagens da revista Seleções do Reader’s Digest, que ao longo de décadas veiculou matérias desfavoráveis aos regimes comunistas e cujos leitores os esquerdistas taxavam de trouxas e alienados. Eu lia Seleções. Lia e aguentava os escárnios dos esquerdistas. Mas ali, naquela noite de novembro de 1989, sentado numa poltrona do Hotel Municipal de Campos Salles, eu me senti com a alma lavada.

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Responses

  1. O Brasil não acordou ainda. Acorda Brasil! Valeu Roberto! Shalon.

  2. TODO O MAL, SEJA AOS OLHOS HUMANOS OU ESPIRITUAL EXISTENTES HOJE NO BRASIL, VEI ATRAVÉS DO PT.

  3. Ah, Roberto…
    Meu consolo é que está tudo no controle de Deus. Assim creio firmemente, pois se assim não for, a desesperança invade.


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