Publicado por: noticiasdesiao | 27 de agosto de 2014

O FIM DA GUERRA SEGUNDO A MÍDIA

A vitória de Israel sobre três pontos de vista diferentes. O surpreendente é que as três interpretações têm origem na mesma fonte e o que as diferencia é apenas o público a quem estão destinadas.

Israel on Euronews

UMA NOTÍCIA, TRÊS INTERPRETAÇÕES.

A notícia em questão está na edição desta quarta-feira da Euronews, o maior canal de notícias da Europa. Uma informação paralela, mas necessária: a Euronews tem na sua carteira de clientes, anunciantes de peso, diversas empresas árabes além de contar com vários jornalistas árabes no seu quadro de repórteres. Algum judeu? Se há eu ainda não os vi.

Não quero aqui fazer uma análise exaustiva do procedimento da mídia na cobertura dos acontecimentos do Oriente Médio, uma vez que já escrevi diversos artigos sobre isso. Mas, a título de ilustração, vou-lhes propor um comparativo entre três versões de uma mesma notícia. E para isso não será preciso abrir três jornais diferentes sobre a mesa, vou apenas lhes mostrar uma mesma notícia, publicada em um mesmo veículo de comunicação, mas para dois públicos distintos: 1. Os leitores palestinos e do mundo árabe; 2. Os leitores israelenses e do resto do mundo. O primeiro em árabe, o segundo em inglês e, claro, uma versão em português para compreensão do comparativo. Acompanhem comigo.

AS MANCHETES

Israel on Euronews EnglishManchete em inglês: “Reações de Israelenses e palestinos às notícias de cessar-fogo em Gaza”

Manchete em árabe: “Acordo de cessar-fogo desperta alegria entre os habitantes dos territórios [ocupados] e polêmica em Israel”

Manchete em português: “Telavive e Hebron celebram cessar-fogo”

A manchete em inglês é a mais coerente com o conteúdo da reportagem. Nesta, três homens são entrevistados, dois israelenses e um palestino, em ambos os casos os homens estão expressando suas reações diante do anúncio de cessar-fogo. Mas a manchete no site árabe tem a nítida intenção de deixar claro que há dois sentimentos distintos: alegria entre os árabes e polêmica entre os judeus. Os árabes estão certos da vitória, alguns judeus podem achar que perderam.

OS LEADS

Israel on Euronews ArabianLead em inglês: “Em Tel Aviv houve reações mistas quando nesta terça-feira foi anunciada a trégua de longo prazo em Gaza”.

Lead em árabe: “O acordo de cessar-fogo entre o Estado judeu e os palestinos não é consenso em Israel, pois divide a opinião pública e os políticos entre críticas ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que aceitou o acordo, e o medo do futuro, tendo em vista a contínua presença de facções palestinas armadas no campo”.

Lead em português: “Para lá das incertezas, para israelenses e palestinos, este é um momento de celebração. Em Telavive, ainda que alguns levantem questões, o importante é o que o cessar-fogo pode representar”.

O Lead é uma expressão inglesa que significa “guia” ou “o que vem à frente”, é o primeiro parágrafo de uma notícia. O papel do lead é fornecer ao leitor a informação básica do tema sobre o qual a notícia discorrerá com o objetivo de prender a atenção do mesmo. O lead conduz a mente dos leitores/ouvintes para as conclusões a que o jornalista pretende chegar.

O lead da versão inglesa é simples e objetivo. Foi anunciada um cessar-fogo e judeus e árabes tiveram reações diferentes frente a este anúncio. Ponto. Em suma, a reportagem é isso mesmo.

Já o lead em árabe, o mais longo das três versões, fala de uma população dividida e medrosa no lado israelense em oposição a um inimigo confiante. A redação passa a ideia de que o primeiro-ministro cedeu, pois “aceitou” o cessar-fogo, e que os palestinos não perderam nada, pois “as facções continuam armadas”.

O lead em português prende-se a mesma lógica do original em inglês, mas não deixe de denotar que há incerteza de um lado, israelense, e comemoração no outro, palestinos. É o clássico caso do “para bom entendedor, meia palavra basta”.

NÚCLEO DA MATÉRIA

Israel on Euronews PortugueseQuanto às opiniões dos entrevistados, a razão de ser da reportagem, a tradução para o português é coerente com o que disseram os dois judeus ouvidos. E aparecem com a mesma redação no site árabe. Como não domino este idioma, quero crer que não houve manipulações no que disse o palestino entrevistado. A tradução das falas podem ter sido coerentes, mas a introdução a cada uma delas, não. Antes das opiniões dos israelenses tudo bem, foram introduções que atendiam ao objetivo da reportagem, ou seja, há divergências sobre o futuro das negociações:

“Eu acho que o cessar-fogo é muito, muito bom para mim, para o povo de Israel. Eu quero voltar à vida normal. Não quero ir para os abrigos. Quero recomeçar a trabalhar. Por isso acho que é muito bom”, diz Avi Algam, de Tel Aviv, enquanto Gadi Feti, outro morador da segunda cidade mais importante de Israel conclui: “Tenho medo que essas células terroristas usem este tempo para conseguir mais armas e prepararem-se para o próximo ataque, como fizeram nos últimos anos”.
No entanto, quando o homem palestino vai-se pronunciar, os redatores agem de forma diferenciada.

No site em português o narrador diz: “Do lado da Palestina, em Hebron, celebrou-se também o cessar-fogo mas aqui o pensamento é diferente”.

Na versão em inglês ficou assim: “Um homem disse que eles estavam unidos em apoio à causa palestina”.

Mas vejam só como a fala do palestino é antecipada na versão árabe da mesma reportagem: “Os palestinos consideram o acordo uma vitória o que provocou alegria em Gaza e na Cisjordânia, e [eles] organizaram marchas envolvendo milhares de pessoas. Gras Abu Mohammed, morador de Hebron, diz:

“Nossa participação na marcha é destinada a apoiar a resistência. Temos visto que a maioria dos governantes árabes e ficaram contra a resistência, contra o povo palestino. Mas nós afirmamos que enquanto houver uma criança ou um homem de pé o apoio à resistência continuará, até ao nosso último suspiro”.

CONCLUSÃO

A conclusão da matéria não deixa dúvidas da queda pró-árabes que há nas redações do canal de notícias europeu.
Na versão inglesa pode-se ouvir: “Para as famílias de ambos os lados do conflito a esperança é que desta vez o cessar-fogo realmente acontecerá e que a vida poderá lentamente voltar ao normal”.

Já na versão árabe a reportagem conclui assim: “O Hamas diz que os exércitos árabes falharam [em outras guerras], mas eles conseguiram encarar as forças de ocupação israelenses.

Israel and Palestinians
Nas ruas israelenses a vida recomeçou enquanto nas ruas palestinas o terror apenas adormeceu

PANO DE FUNDO

A reportagem é curta, são apenas 79 segundos, mas as imagens que a ilustram deixam claro, para aqueles que sabem interpretar o que não é dito, as diferenças profundas que separam os dois lados do conflito. Em Israel, as comemorações ficaram restritas aos soldados, pois eles têm motivos para isso: estão voltando para casa. Nas ruas Israel, não houve comemorações efusivas, afinal de contas 67 pessoas perderam suas vidas, sendo que entre elas duas eram crianças. Não há o que comemorar, apenas recuperar o tempo perdido. E é por isso que as imagens em Israel mostram pessoas fazendo compras e crianças brincando nas praças.

Já no lado árabe o cruel contraste. Mesmo tendo sofrido um severo massacre, com mais de 2 mil mortos e 10 mil feridos, eles comemoram, alegres.

Vá entender a lógica dos inimigos de Israel.

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Responses

  1. Isso é uma tremenda armadilha contra Israel, não tenham dúvidas. A segunda lua de sangue em 8 de outubro promete.

  2. […] o canal europeu financiado por países e organizações árabes, dá uma aula de como tratar as notícias sobre Israel. É o MAJOR em […]


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