Publicado por: noticiasdesiao | 19 de fevereiro de 2014

QUANDO PORTUGAL APOIOU ISRAEL

A DECISÃO QUE CONTRIBUIU PARA UMA VITÓRIA DE ISRAEL

Lajes Field Azores
Base aérea de Lajes das Flores nos Açores

QUANDO PORTUGAL SALVOU UM PAÍS

Texto de Romeu Monteiro – Publicado originalmente no jornal português PÚBLICO

A maior parte dos estrangeiros sabe pouco ou nada de Portugal. Somos vistos por muitos como um país irrelevante, que poderia deixar de existir sem causar um bocejo. Para muita gente num outro país, somos aqueles que ajudaram a que o seu país não deixasse de existir. Avançámos quando outros mais fortes não ousaram e, com um pequeno gesto, evitámos guerras. É tempo que em Portugal se conte esta história que é nossa também.

Em Outubro de 1973, celebrava-se em Israel o dia mais sagrado do calendário judaico quando os exércitos da Síria e do Egipto lançaram uma invasão surpresa. Já em 1948 e 1967 haviam iniciado guerras contra Israel com o propósito declarado de aniquilar o país e “atirar os judeus ao mar”. Desta vez contavam com armamento e soldados adicionais da Jordânia, Iraque, Koweit, Arábia Saudita, Cuba, União Soviética e Coreia do Norte. Apesar da rápida mobilização das tropas israelitas, os tanques árabes iam ganhando terreno. Em Israel instalava-se o pânico. A primeira-ministra Golda Meir estava preparada para se deslocar a Washington e implorar aos EUA para reabastecerem Israel com armas, aviões e outro material bélico, tais as derrotas que as tropas israelitas estavam a sofrer. Apesar de os EUA permitirem o reabastecimento, havia um problema: os países europeus recusavam-se a autorizar os aviões americanos a usar as suas bases e espaços aéreos na rota entre a América e Israel. Sabiam que seriam punidos pelos países árabes por estarem dependentes do seu petróleo.

Ao ficar a par desta situação, o Governador dos Açores [1] telefona para Washington e disponibiliza a base das Lajes na Ilha Terceira [2]. Pouco tempo depois, começa a operação Nickel Grass e a pequena base passa a operar dia e noite, albergando milhares de pessoas em abrigos improvisados. Os primeiros aviões começam a aterrar na Terceira, e daí seguem para Tel Aviv. Em Israel, espera-se e desespera-se. Até que, finalmente, a ajuda começa a chegar a partir do céu: são os aviões que vêm de Portugal. Um, depois outro, e mais, sempre a chegar.

Depois das pesadas derrotas iniciais, os israelitas dão a volta à guerra e recuperam o território que tinham perdido até aí. Pouco depois, acorda-se o cessar-fogo. Após a guerra, o Egipto é forçado a reconhecer que não é capaz de destruir Israel ou de atingir os seus propósitos através da guerra. Assim, em 1978, assina um acordo em que recebe a península do Sinai em troca da paz, um acordo que se mantém até hoje. O Egipto torna-se o primeiro e maior país árabe a reconhecer Israel e a estabelecer relações diplomáticas e comerciais com este, abrindo a porta a outros países árabes que viriam a fazer o mesmo.

Depois de 1973, Israel não voltou a ser invadido. Ficou nos habitantes do país um respeito especial pela atitude de Portugal num dos momentos mais traumáticos da sua História, quando o resto da Europa os havia abandonado.

Conheci esta história através de um israelita que era soldado em 1973 e assistiu ao alívio de ver chegar os aviões vindos de Portugal. Aviões carregados de esperança e de futuro para uma nação pequena e jovem. Os judeus religiosos acreditam numa passagem da Bíblia que diz que Deus abençoará aqueles que abençoam Israel [3]. Coincidência ou não, a verdade é que seis meses depois seria Portugal a conhecer a liberdade e a esperança num futuro melhor e livre de guerras [4].

Esta é uma história que também faz parte da nossa História. É a lição que nos mostra que podemos sempre fazer a diferença. Se para uns somos insignificantes, para outros somos a esperança nos tempos mais negros. Ontem salvámos um país. Está nas nossas mãos o que faremos amanhã.

NOTAS DA REDAÇÃO DO BLOGUE NDS

De modo geral o texto acima é muito bom, mas há alguns pormenores históricos que escaparam ao jovem autor, por isso, e a título de complementação, disponho as seguintes informações:

1. Em 1973 não existia “governador” nos Açores, porque a atual Região Autônoma naquela época era dividida em três distritos insulares, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, distritos estes que eram subordinados ao sucessor de António Salazar e então Presidente do Conselho, Dr. Marcelo Caetano.

2. Os EUA não precisavam de autorização de ninguém nos Açores, pois a Base Aérea das Lages já era arrendada à Força Aérea Americana desde o final da 2ª Guerra Mundial. Enquanto durou a guerra, a base e o porto dos Açores foram cedidos a Inglaterra como forma de evitar-se uma invasão dos Aliados em Portugal. Durante a guerra a ameaça era real, uma vez que Salazar simpatizava com Hitler e estava propenso a aliar-se à Alemanha nazista. Os ingleses então solicitaram o uso das bases aéreas e navais recorrendo ao Tratado Luso-Britanico de 1.810, o mais antigo tratado internacional ainda em vigência em todo o mundo (foi assinado em 19 de Fevereiro de 1810 por Dom João VI logo que se efetivou a transferência da corte portuguesa para o Brasil). Portanto, não houve “oferta” por parte de Portugal, pois a única coisa que os Estados Unidos precisavam fazer era que o Secretário de Estado, na época o judeu Henry Kissinger, telefonasse para o Comandante Geral português informando a ação. Ou seja, a atitude de Portugal não foi tão heróica assim, até porque havia alternativas caso os Açores não fossem acessíveis. A ajuda poderia chegar a Israel através da Irlanda ou da própria Inglaterra. Optou-se pela Base Aérea das Lages porque era a mais próxima da costa americana.

3. “Abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3).

4. O autor faz menção à Revolução dos Cravos, que aconteceu a 25 de Abril de 1974.

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Responses

  1. Caro Roberto, Shalom sobre todos vocês!!….que maravilhoso voce nos enviar este texto para lermos. Fez-me imediatamente lembra de um trecho do livro que já li duas vezes…GOLDA da escritora Elinor Burkett, ed. Larousse. Eis aqui…me faz arrepiar a cada vez que leio, mais agora por que transcrevo (pg. 374): …” No dia 13, sábado, ele ordenou (aqui a autora está falando de Nixon) uma operação de despacho imediata e em larga escala, apenas para ser entravada pela recusa de todos os países europeus, exceto Portugal, a permitir que aviões americanos carregados de armas para Israel reabastecem em seu solo. Ainda assim Kissinger tentou reduzir os suprimentos ao mínimo,, sugerindo que se usassem apenas tres aviões para o transporte. “Olhe aqui, Henry”, ponderou Nixon, “vamos ser igualmente censurados por mandar 3, 30 ou 100. Portanto mande tudo que possa voar.” Era uma visão assustadora; ondas e mais ondas de gigantescos cargueiros C-5A Galaxy rugindo nos céus rumo a Tel Aviv. Milhares de pessoas se apinharam na praia para admirar o que Golda chamava de “monstros voadores pré-históricos” trazendo no bojo bombas inteligentes, misseis e munições. Quando ela soube da chegada do material, chorou.” Caro Roberto, está escrito o livro: “exceto Portugal” !!! Isto não é lindo???? O Eterno D’us seja grandemente louvado!!! Portugal e o povo português sejam grandemente abençoados!!! AM ISRAEL CHAI!!!

    • Belo depoimento minha cara Maria Lúcia. Obrigado por compartilhá-lo conosco.


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