Publicado por: noticiasdesiao | 4 de janeiro de 2013

SHIMON PERES 1923-2013

CONHEÇA MAIS SOBRE UM DOS GRANDES LÍDERES DA HISTÓRIA DE ISRAEL – PARTE VI

Ao ver uma mãe libanesa esgueirando-se pelo buraco de uma cerca para que seu bebê pudesse receber a assistência de um médico judeu, Shimon Peres implementou um dos mais belos trabalhos humanitários realizados na fronteira de Israel.

Doze artigos ao longo de 12 meses para celebrar os 90 anos de Shimon Peres.

Projeto A Boa Cerca

A BOA CERCA

Embora cercado de vizinhos hostis, Israel nunca negou socorro a seus adversários. Um episódio na vida de Shimon Peres serve muito bem para ilustrar esta atitude, que poderia ser definida também como uma Tsedakah, ou seja, a forma como os judeus realizam atos de caridade.

Quando Ministro da Defesa no Governo de Yitizhak Rabin, Shimon Peres fazia uma viagem de rotina pela fronteira de Israel com o Líbano quando presenciou uma cena inesperada.

Peres acompanhava o movimento dos guardas nas proximidades de uma cerca que dividia as duas fronteiras. A cerca havia sido construída na época da guerra contra a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) com o objetivo de conter a entrada de terrorista no território israelense. Na década de 70 o Líbano estava envolvido em terríveis conflitos internos e à beira de uma guerra civil, o que levava as autoridades israelenses a manter a região sob vigilância para lidar com a possível tentativa de invasão por parte de fugitivos do conflito.

A fronteira do norte de Israel com o sul do Líbano era predominantemente habitada por aldeões cristãos que, sob a liderança do major Sa’ad Haddad haviam formado um pequeno exército que lutou juntamente com as Forças de Defesa de Israel contra a OLP, então liderada pelo terrorista Yasser Arafat.

Quando passava pela região de Metula, Shimon Peres viu um carro estacionar no lado Libanês e de dentro do veículo saltou uma mulher com um bebê nos braços. Peres observou que aquela mãe esgueirando-se por um buraco da cerca sob o olhar complacente dos guardas.

Intrigado, o Ministro primeiramente quis conversar com a mulher. Perguntou por que atravessara para o lado israelense e ela explicou que precisava de atendimento médico para o seu bebê e a aldeia onde morava estava sobre fogo cerrado, libanês contra libanês.

Peres estava acompanhado do Chefe do Comando Norte, General Rafael Eitan, a quem dirigiu-se perguntando: “O que faz, em tais casos?” Eitan respondeu que permitia a entrada e lhes dava atendimento médico.

Para surpresa do comandante, Shimon Peres comentou que a situação da mãe, abaixando-se para passar pelo buraco, era degradante, sugeriu que a passagem fosse “humanizada” e que o atendimento passasse a ser permanente. Foi desta maneira que surgiu “A Boa Cerca”, um dos mais famosos dos muitos trabalhos humanitários realizados nas fronteiras de Israel.

Os soldados das FDI construíram um pequeno portão na cerca e abriram uma clínica, gerida por um médico e uma enfermeira. O escritor e biógrafo Michael Bar-Zohar registrou num dos seus livros que “ao fim de pouco tempo, os homens libaneses, que procuravam trabalho em Israel, começaram a fazer fila junto ao portão e o mesmo fizeram os agricultores libaneses, que vinham vender os seus produtos” aos israelenses do outro lado da cerca.

Peres percebeu que esta seria uma boa oportunidade para quebrar o ciclo vicioso de hostilidade entre israelenses e libaneses ao mesmo tempo em que reforçou os laços com os militantes da Falange Cristã do Líbano.

Hoje, mais de quatro décadas depois da implantação da Boa Cerca e incentivados por lideranças sectárias, vemos que as hostilidades por parte dos libaneses vêm recrudescendo. Como há diversas casas construídas próximas à cerca, não é raro ver até mesmo crianças libaneses atirando pedras para os quintais israelenses.

Como registro histórico da boa vontade do governo israelense para com seus vizinhos, ainda é possível ver nas estradas que levam a Metula a informação de que se aproxima o local onde se encontra “A Boa Cerca”. Se os inimigos não querem, o problema é deles. Israel continua lá, disposto a prosseguir na política da mão estendida, implementada por Shimon Peres.

A Boa Cerca, em Metula.

Placa próxima a Metula informa a aproximação da Boa Cerca

ARTIGOS ANTERIORES DESTA SÉRIE

Parte I: De Persky a Peres, 89 anos de amor por Israel.

Parte II: O oleh que virou sabra.

Parte III: Shimon Peres e a Mídia.

Parte IV: Um homem de livros para o povo do livro.

Parte V: Shimon Peres e a arte de reconhecer a realidade dos fatos.

Anúncios

Responses

  1. […] Shimon Peres e a Boa Cerca […]

  2. […] Parte VI: A Boa Cerca. […]

  3. […] Parte VI: A Boa Cerca […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: