Publicado por: noticiasdesiao | 5 de dezembro de 2012

SHIMON PERES 1923-2013

CONHEÇA MAIS SOBRE UM DOS GRANDES LÍDERES DA HISTÓRIA DE ISRAEL – PARTE V

Saiba como, sob a liderança de Shimon Peres, Israel conseguiu evitar um conflito desnecessário ao mesmo tempo em que saiu do episódio fortalecido. Veja como o então Ministro da Defesa levou o país a saber diferenciar uma ameaça real de um boato, ao mesmo tempo em que conseguiu demonstrar a importância de se investir em segurança para que os terrores propagados nos boatos não viessem um dia a tornaram-se realidade.

Doze artigos ao longo de 12 meses para celebrar os 90 anos de Shimon Peres.

Shimon Peres no Departamento de Defesa

SHIMON PERES E A ARTE DE RECONHECER A REALIDADE DOS FATOS

Se há algo com que Israel aprendeu a lidar ao longo da história foi com as fofocas e os boatos. Milhares de anos antes das expressões “lenda urbana” e “hoax” terem sido inventados, Israel já era alvo de falsas notícias e maquinações bem engendradas pelos inimigos. E sempre teve que contar com a sabedoria dos seus líderes para filtrar os perigos reais das mentiras de modo a garantir a existência da nação e a segurança do seu povo. Mesmo assim, os adversários conseguiram impor no imaginário popular a ideia de que os líderes israelenses e seus comandantes militares formam de um bando de tresloucados sedentos de sangue.

No início dos anos 60 do século passado, Israel se viu às voltas com um caso que se não tivesse sido devidamente conduzido poderia ter levado a nação a uma guerra desnecessária.

No dia 21 de Julho de 1962 quatro mísseis egípcios caíram sobre o território israelense. Com os sugestivos nomes de Al-Zafer (“o vencedor”) e Al-Kaher (“o conquistador”), os dois primeiros tinham o alcance de 280 Km e os outros dois de 560 Km. Israel estava vulnerável em todo o seu território.

A Segunda Guerra Mundial acabara há 17 anos e Israel sabia que desde 1959 centenas de cientistas, que estiveram a serviço de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, estavam trabalhando agora para Gamal Abdel Nasser, Presidente do Egito.

O líder do serviço secreto de Israel chamava-se Isser Harel e este foi bombardeado com todo o tipo de informação e contra-informação visando empurrar os judeus para a guerra. Nasser tinha a obsessão de transformar-se no líder-dos-líderes árabes e acreditava que aquele era o momento propício para lançar um ataque. Entretanto, ele preferia que a iniciativa da agressão partisse de Israel, assim poderia justificar uma suposta “reação” perante a comunidade internacional.
As notícias que chegaram à Israel davam conta de que o Egito estava desenvolvendo armas assustadoras, aviões supersônicos, mísseis com ogivas radioativas e inéditas armas de raios laser. O suposto arsenal causaria estragos sem precedentes na história das guerras e envenenaria o ar em toda a região. O objetivo era um só: acabar com Israel e eliminar o povo judeu daquela parte do Oriente Médio.

Nos meses que se seguiram a nação foi tomada por uma espécie de histeria coletiva que, embora justificável, mostra-se-ia falaciosa. Naquela época, Israel havia capturado na Argentina o mais terrível dos nazistas ainda vivos, Adolf Eichmann, o arquiteto da Solução Final, e seu julgamento expusera as mais dolorosas feridas no seio da sociedade local, afinal de contas àquela altura boa parte dos cidadãos israelenses eram judeus sobreviventes da Shoah, popularmente conhecida como Holocausto.

De forma cautelosa, Shimon Peres procurou averiguar todas as fontes separando o real do imaginário, as informações pertinentes dos meros boatos e passou a desenhar uma estratégia de pressão junto ao governo alemão, que era conduzido naquela altura pelo chanceler cristão-democrata Konrad Adenauer.

Numa audiência privada do Knesset, o parlamento israelense, Shimon Peres procurou acalmar os ânimos dizendo: “O que sabemos até agora é que os egípcios construíram um míssil a partir de um modelo obsoleto, que foi usado na segunda Guerra Mundial. Tanto quando sabemos, este míssil ainda não tem um sistema de navegação, e apenas em Março ou Abril [de 1963], se tudo correr bem [para eles], é que serão capazes de construir um modelo com sistema de navegação”.

No dia 24 de Março de 1963 apresentou fortes argumentos ao primeiro ministro David Ben Gurion demonstrando que os temores não se justificavam. Amparado em dados fornecidos pelo general Meir Amit, diretor de inteligência das Forças de Defesa de Israel (FDI), Shimon Peres deixou claro que não haviam encontrado nenhuma indicação de que o Egito estivesse desenvolvendo armas químicas ou bacteriológicas e que a construção de supostas bombas de cobalto não passavam de meros boatos.

Shimon Peres e Meir Amit informaram a Ben Gurion que “o pânico que tinha varrido a nação nos últimos meses era completamente infundado” e que o Egito havia recrutado “uma equipe de cientistas medíocres, que estavam a construir mísseis obsoletos”.

O episódio dos cientistas alemães a serviço de Abdel Nasser terminou de forma exemplar. Shimon Peres demonstrou que a melhor forma de lidar com uma questão delicada como aquela era não se deixando levar pela histeria coletiva, verificando em profundidade cada uma das informações recebidas e tomando decisões fundamentadas apenas em fatos devidamente comprovados.

Ben Gurion qualificou o caso como um “exagero” e, juntamente com Shimon Peres, trabalhou nos bastidores para que o governo alemão retirasse os cientistas germânicos do território egípcio, o que veio a acontecer mediante a oferta de bons empregos e generosos salários na sua terra natal.

Sob a liderança segura de Shimon Peres, Israel não só evitou um conflito desnecessário como saiu do episódio fortalecido. Peres conseguiu fazer com que o país reconhecesse que a ameaça egípcia era falaciosa, mas ao mesmo tempo alertou que isso não significava que no futuro os inimigos não pudessem, de fato, desenvolver tais armas.

À partir desta lógica, Peres estabeleceu a criação do “Fundo para Mísseis”, tendo à frente o diretor do Ministério da Defesa Arthur Ben-Nathan. Este fundo tinha por objetivo angariar recursos em todo o mundo para o financiamento do projeto de mísseis de Israel. Nos anos que se seguiram, o mesmo fundo apoiou o desenvolvimento do programa nuclear israelense, através da construção do reator de Dimona.

ARTIGOS ANTERIORES DESTA SÉRIE

Parte I: De Persky a Peres, 89 anos de amor por Israel!

Parte II: O oleh que virou sabra.

Parte III: Shimon Peres e a Mídia

Parte IV: Um homem de livros para o povo do livro

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