Publicado por: noticiasdesiao | 7 de novembro de 2010

GRACIA NASI

PORTUGAL REVERENCIA DONA GRACIA NASI

O segundo dia do I Festival da Memória Sefardita foi dedicado a uma das mais impressionantes personagens da moderna história judaica. Precursora da globalização da economia, Dona Gracia Nasi, conhecida entre reis e comerciantes como A Senhora e entre os judeus como O Nosso Anjo, foi uma mulher incomum para o seu tempo.

Nascida em Portugal no início do século XVI, Gracia Mendes Nasi (1510-1569) pertencia à família Benveniste, nobres espanhóis que chegaram às terras lusitanas fugindo da Inquisição Católico Romana.

Ao chegar em Portugal, casou-se com o mais rico ainda, Francisco Mendes-Nassi, dono de uma das maiores empresas de comércio internacional e serviços bancários em todo o mundo.

Ainda jovem assistiu à morte do esposo e, ao contrário do que era de se esperar àquela altura da História, não se resignou ao papel de viúva acomodada a gozar a fortuna herdade. Dona Gracia assumiu o controle dos negócios da família e tornou-se a mulher mais poderosa da sua época.

Judia, viúva e mulher foi alvo de todo tipo de pressão e extorsão, processo que culminou com uma forçada “conversão” ao Catolicismo Romano. À partir de então, adota o nome de Beatriz de Luna Miques e passa a ajudar judeus das mais diferentes formas, gastando parte da sua fortuna no resgate de judeus condenados.

Percebendo que nem mesmo sua influência e fortuna seriam capazes de protegê-la permanentemente, deixa para trás parte considerável de sua enorme riqueza e foge para a Bélgica, estabelecendo-se na riquíssima Antuérpia. Nesta cidade funcionava uma sucursal das suas empresas sob os cuidados de um cunhado chamado Diogo. O escritório belga da Mendez-Nassi tinha conexões com a maioria dos tribunais europeus e em pouco tempo Dona Gracia já compensava o déficit causado nos negócios pelo que deixara em Portugal.

Depois da morte do cunhado novas pressões se abatem sobre Dona Gracia Nasi e ao planejar nova fuga escapa das artimanhas do Imperador Carlos V que tentava apoderar-se da sua fortuna.

Em 1549 empreende fuga acompanhada da filha, de uma irmã, de uma sobrinha desta vez consegue levar a maior parte da fortuna.

À partir de então, a família Nasi-Mendes-Benveniste vai perambular por diversos destinos, incluindo Veneza, Ferrara e Constantinopla (Istambul).

Permanece em Constantinopla até 1552, onde forma um centro de ajuda a judeus marranos perseguidos. Sua fortuna foi utilizada não apenas para gerir as empresas, mas para comprar os favores dos príncipes e reis no sentido de garantir liberdade a judeus perseguidos.

Passa a construir sinagogas, yeshivot e bibliotecas. Retorna à fé dos seus antepassados “reconvertendo-se” ao Judaísmo. Passa a apoiar estudos acadêmicos dos mais diversos e estudantes da Torah em particular. E, claro, ajuda centenas de judeus marranos à retornar à prática do judaísmo.

A história impressionante de Dona Gracia rende-lhe homenagens em diversas partes do mundo ao longo de 2010, quando se comemora os 500 anos do seu nascimento.

Na cidade de Tiberíades, em Israel, existe um museu em sua homenagem, a Casa Dona Gracia. O Diretor Geral e Curador do museu, Tzvi Schaick, esteve na cidade da Guarda onde, durante o I Congresso da Memória Sefardita, fez palestra e prestou homenagem à Dona Gracia na pessoa de uma descendente, Monique Benveniste.

Monique Benveniste preside a Comissão Executiva da Cátedra de Estudos Sefaradistas e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ao receber as homenagens disse emocionada que sua família “retornou para Portugal fugindo da perseguição Nazista” que se abateu sobre ela em outras partes da Europa.

“Saímos de Portugal por sermos judeus e voltamos por sermos judeus”, concluiu a homenageada.

A grande falha das autoridades portugueses para com este evento foi materializada com a ausência do Presidente Aníbal Cavaco Silva, a quem foi atribuída a Medalha 500 Anos de Dona Gracia Nasi. Preocupado com a própria reeleição e envolto na mais grave crise econômica enfrentada por Portugal nas últimas décadas, Cavaco Silva preferiu ficar em Lisboa, enviando um assessor para receber a condecoração.

Gracia Nasi nos tempos de Constantinopla

Homenageada em Israel, onde tem museu próprio.

A homenageada do dia Monique Benveniste, descendente de Dona Gracia Nasi.

Herman Prins Salomon, Catedrático da Universidade de Albany, EUA dá verdadeira aula sobre Dona Gracia Nasi.

Rabino Pinkas Kornfeld, da Comunidade Ortodoxa da Antuérpia, fala sobre Dona Gracia Nasi.

Marina Pignatelli, Professora da Universidade Técnica de Lisboa fala sobre Gracia Nasi.

Assessor de Cavaco Silva agradece homenagem. O assessor foi gentil, o presidente indelicado.

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Responses

  1. A few women in the world, throughout history, have shared this destiny, independently of religion, to reclaim and save aspects of humanity, groups, lives… Long live these heroines, and may the honoring of their memory confirm in others alike the path, to follow their intuition, grow confident and act strongly, with intention, obtaining remarkable results.


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