Publicado por: noticiasdesiao | 11 de maio de 2010

VISÃO JUDAICA

COMO OS JUDEUS VÊEM O HATIKVA

“Hatikva” fala dos anseios dos judeus de um dia retornar à terra de seus antepassados – Eretz Israel. Expulso de sua Terra no ano 70 da Era Comum pelo exército romano do imperador Tito, que também destruiu o Templo de Jerusalém, o povo judeu jamais deixou de reverenciar e lembrar a terra que D’us prometera a seus ancestrais. Durante os dois mil anos de exílio, o desejo de retornar nunca deixou o coração judaico. Todos os dias nos lembramos de Sião nas nossas preces diárias e nos voltamos de corpo e alma para Jerusalém, “o Oriente”. Nossas comemorações religiosas são estipuladas de acordo com o calendário e as estações do ano em Israel. Esta é a essência da mensagem da primeira estrofe do “Hatikva”, pois “Sião” é o outro nome atribuído a Jerusalém e Israel.

Mesmo durante os longos anos em que Eretz Israel esteve nas mãos de povos estrangeiros e os judeus viveram sob seu domínio, a esperança de independência e o anseio por liberdade jamais feneceram. Este é o tema da segunda estrofe do hino, que canta o desejo do povo judeu, de geração em geração – espalhado pelo mundo ou oprimido na terra de seus ancestrais.

A origem do hino “Hatikva” é tema de debate entre estudiosos. Originalmente foi vinculada à “Sinfonia Boêmia”, do compositor checo Bedrich Smetana (1824-1884). Porém, o músico e estudioso da liturgia judaica, Zwi Mayerowitch (1822-1945), afirma que a música foi composta pelo sefaradita Henry Busato, ou Russoto. Ele se teria inspirado na melodia usada em certas sinagogas do rito sefardi, quando se entoa o Salmo 117, durante o Halel.

Mayerowitch afirmou que a música foi publicada em 1857, vinte anos antes que Smetana compusesse a “Sinfonia Boêmia”. A composição apareceu na obra “Melodias antigas para a liturgia dos judeus espanhóis e portugueses: Harmonizadas por Emanuel Aguilar”.

Durante o 8º Congresso Sionista, em 1907, o hino foi cantado pelos participantes em uma manifestação espontânea, mas precisou enfrentar uma disputa acirrada com outras obras, como por exemplo, “Sham Makom Arozim”, que possuía um “fã clube” maior. “Hatikva” foi oficialmente adotado como hino do Movimento Sionista, juntamente com a bandeira azul e branca, apenas durante o 18º Congresso Sionista, em 1933.

Com o passar do tempo, algumas das palavras originais foram alteradas; mas, indubitavelmente, as palavras carregadas de emoção e a melodia suave haviam conquistado o coração das massas judias. Em 1945, “Hatikva”, o Canto da Esperança, foi entoado cinco dias após a libertação dos sobreviventes do campo de concentração de Bergen-Belsen, quando celebravam o primeiro Shabat novamente como homens livres.

“Hatikva” foi adotada de forma oficiosa como Hino Nacional em 1948, cantado a plenos pulmões por uma multidão, durante a cerimônia de assinatura da Declaração de Independência do Estado de Israel. Já tinha a letra atual e foi executada pela Orquestra Filarmônica de Israel. A oficialização, no entanto, veio em novembro de 2004, com a confirmação pelo Knesset, o Parlamento israelense.

“Hatikva” é único hino, no mundo, que pode orgulhar-se de ser cantado por um número maior de pessoas, na Diáspora, do que em seu próprio solo. É também o único que, em geral, é entoado por pessoas cujo idioma nativo não é o do hino. Ao cantar “Hatikva”, na Diáspora ou em Israel, não estamos apenas entoando uma linda melodia ou cumprindo um dever cívico. Estamos, de fato, renovando a promessa de jamais esquecer o sonho de independência e reafirmando que sempre faremos o impossível para ajudar o Estado de Israel a prosperar e conquistar o seu lugar no palco das nações. Estamos confirmando e reconfirmando, vez após vez, a centralidade de Medinat Israel na vida dos judeus e unindo os dispersos de nosso povo com o Estado de Israel.

Fonte: Revista Morashá Edição 57, São Paulo, Junho de 2007.

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